O que é a Tabela Brasíndice e como ela afeta o faturamento

O que é a Tabela Brasíndice e como ela afeta o faturamento

O que é a Tabela Brasíndice e como ela afeta o faturamento

A Brasíndice é a principal referência de preços de medicamentos em contratos hospitalares. Saiba como o PF e o PMC funcionam, por que a atualização quinzenal é crítica e como erros de precificação geram glosas evitáveis

Rivio

Redação

7 de abr. de 2026

5 minutos

7 de abr. de 2026

5 minutos

Medicamentos representam um custo significativo nas despesas de um hospital. Em internações de média e alta complexidade, o valor dos fármacos administrados pode responder por 30% ou mais do total da conta. Quando esse custo é cobrado com base em um preço errado ou em uma edição desatualizada da tabela de referência, a operadora pode glosar a conta. O prejuízo entra no balanço sem que se perceba a tempo de corrigir o erro.

A Tabela Brasíndice é a principal referência de precificação de medicamentos utilizada em contratos hospitalares no Brasil. Conhecer como ela funciona, o que seus preços representam e como aplicá-la corretamente no faturamento é parte essencial da gestão financeira hospitalar

O que é a Tabela Brasíndice

A Brasíndice é uma publicação especializada que compila os preços dos medicamentos comercializados no Brasil, incluindo dietas enterais e alguns materiais hospitalares. Sua origem remonta a 1965, quando a Editora Andrei, de São Paulo, passou a publicar a Revista Brasíndice com o objetivo de oferecer ao setor de saúde uma referência consolidada de preços farmacêuticos.

A publicação tem periodicidade quinzenal e está disponível tanto em formato impresso quanto em portal eletrônico, por assinatura. A atualização frequente é necessária porque os preços dos medicamentos podem mudar a qualquer momento, seja por reajustes da indústria, seja por inclusão de novos produtos ou por alterações regulatórias. Trabalhar com uma edição desatualizada é, portanto, um risco ao faturamento.

Para cada medicamento listado, a Brasíndice apresenta dois valores principais: o Preço do Fabricante (PF) e o Preço Máximo ao Consumidor (PMC). Esses dois números têm finalidades diferentes e confundi-los está entre os erros mais frequentes no faturamento hospitalar. 

PF e PMC: qual usar no faturamento hospitalar

O PF e o PMC são os dois pilares de precificação da Brasíndice, mas cada um serve a um contexto diferente. Usar o valor errado no faturamento gera glosa administrativa por divergência de precificação.

Preço do Fabricante (PF)

O PF representa o valor pelo qual a indústria farmacêutica vende o medicamento para hospitais, clínicas e distribuidores. É o preço praticado dentro da cadeia de abastecimento hospitalar, por isso é o valor de referência correto para o faturamento de contas junto às operadoras de planos de saúde.

Quando o contrato entre o hospital e a operadora prevê a Brasíndice como tabela de referência para medicamentos, entende-se que o PF é a base de cálculo. Cobrar com base no PMC nessa situação resulta em valor mais alto do que o contratado, o que gera glosa imediata.

Preço Máximo ao Consumidor (PMC)

O PMC é o teto de preço permitido para a venda de medicamentos no varejo farmacêutico, regulado pela Anvisa por meio da CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos). Ele é calculado a partir do PF com o acréscimo de margem de distribuição e impostos.

No ambiente hospitalar, o PMC aparece como referência em algumas negociações contratuais específicas, geralmente com aplicação de percentual de desconto sobre ele. Quando o contrato usar o PMC como base, isso estará explicitado. Na ausência dessa especificação, o padrão do mercado é o PF. 

Critério

PF (Preço do Fabricante)

PMC (Preço Máximo ao Consumidor)

O que representa

Preço de venda da indústria para hospitais

Teto de preço para o varejo farmacêutico

Base regulatória

Definido pela CMED, republicado pela Brasíndice

Definido pela CMED com acréscimo de margem e impostos

Uso no faturamento hospitalar

Referência padrão para cobranças às operadoras

Usado apenas quando previsto explicitamente em contrato

Risco de glosa

Baixo, quando aplicado corretamente

Alto, se usado sem previsão contratual

 

Como a Brasíndice se relaciona com a CMED

A Brasíndice e a CMED são frequentemente confundidas porque ambas tratam de preços de medicamentos. A distinção entre elas, porém, é fundamental para quem trabalha com faturamento hospitalar.

A CMED é a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos, órgão interministerial vinculado à Anvisa, responsável por definir os preços máximos que podem ser praticados no mercado brasileiro. Com base na Lei 10.742/2003 e na Resolução CMED nº 3/2003, que estabelecem as regras de fixação e ajuste de preços, a CMED publica periodicamente as listas oficiais com os preços regulados. Esses dados são de acesso público e têm força regulatória: nenhum medicamento pode ser vendido acima dos limites definidos pela câmara.

A Brasíndice, por sua vez, é uma publicação independente. Ela coleta os preços informados pelos laboratórios após aprovação do Ministério da Fazenda e os republica de forma organizada, quinzenalmente, em formato acessível para uso operacional em hospitais. Em termos práticos, a Brasíndice traduz os dados regulatórios da CMED em uma ferramenta de consulta rápida para faturistas, compradores e auditores.

A diferença essencial está no público e no propósito de cada uma: 

Critério

CMED

Brasíndice

Natureza

Órgão regulador oficial (vinculado à ANVISA)

Publicação independente

Finalidade

Regulação de preços máximos de medicamentos

Referência operacional para o mercado hospitalar

Público principal

Governo, indústria farmacêutica, vigilância sanitária

Hospitais, operadoras, faturistas, compradores

Periodicidade

Atualizações conforme decisões regulatórias

Quinzenal

Status contratual

Não é citada diretamente em contratos hospitalares

Frequentemente citada como tabela de referência em contratos com operadoras

 

Do ponto de vista do faturamento, o que importa saber é que a Brasíndice não substitui a CMED nem conflita com ela. A Brasíndice opera dentro dos limites regulatórios definidos pela CMED e oferece os dados em formato prático para uso no dia a dia hospitalar. Quando um contrato cita "Brasíndice" como referência, está reconhecendo essa publicação como o instrumento operacional para consulta de preços de medicamentos. 

Como a Brasíndice é usada no faturamento hospitalar

A Brasíndice entra na operação hospitalar em dois momentos distintos: na negociação contratual com a operadora e na execução diária do faturamento.

Na fase contratual, hospital e operadora definem qual tabela de referência será usada para precificar os medicamentos administrados nos atendimentos. Quando a Brasíndice é escolhida, o contrato especifica qual valor será aplicado, PF ou PMC, e se haverá algum percentual de ajuste sobre ele. Esse acordo contratual é o que o faturista precisa consultar antes de qualquer cobrança.

Na execução do faturamento, o processo segue uma sequência direta. Após o atendimento, o faturista identifica cada medicamento utilizado pelo paciente, localiza o item na Brasíndice pelo código do produto, verifica o valor vigente na edição mais recente da tabela e aplica o percentual contratual definido com aquela operadora. O valor resultante compõe a guia de faturamento enviada via padrão TISS.

Dois pontos de atenção práticos para essa rotina:

  • Edição vigente. A Brasíndice é atualizada a cada quinze dias. O valor de um medicamento na edição desta semana pode ser diferente da edição anterior. O faturamento deve sempre usar a edição em vigor na data do atendimento, não a data do envio da conta.

  • Código correto. Cada medicamento tem um código específico na Brasíndice. Cobrar um produto com o código de outro, ainda que com valor próximo, é divergência técnica e pode gerar glosa por código incorreto junto à operadora. 

Brasíndice desatualizada gera glosa

O uso incorreto da Brasíndice no faturamento é uma fonte de glosa administrativa que muitas instituições subestimam. Diferentemente das glosas clínicas, que exigem análise do prontuário e discussão técnica com a operadora, as glosas por divergência de precificação costumam ser objetivas: o valor cobrado não corresponde ao valor previsto na tabela contratada. A operadora rejeita, e o hospital perde.

Os erros mais frequentes nessa categoria seguem um padrão reconhecível:

  • Edição desatualizada. O sistema de faturamento está parametrizado com uma edição antiga da Brasíndice. O medicamento foi reajustado pela indústria, a tabela vigente já reflete o novo valor, mas o hospital ainda cobra o preço anterior. Dependendo do sentido do reajuste, o hospital cobra abaixo do que poderia receber, deixando receita para trás, ou acima do que a operadora aceita, gerando glosa.

  • Confusão entre PF e PMC. O contrato prevê PF, mas o sistema aplica PMC. Como o PMC é sempre maior que o PF, o valor cobrado ultrapassa o limite contratual e a operadora glosa a diferença.

A prevenção passa por atualização quinzenal automática da Brasíndice nos sistemas de faturamento e parametrização correta do tipo de preço por contrato. Processos manuais nessa etapa são lentos, sujeitos a esquecimento e difíceis de auditar. 

Brasíndice atualizada é receita protegida

O medicamento certo, com o código certo, no valor certo da edição vigente: essa é a equação que o faturamento hospitalar precisa resolver a cada conta. A Brasíndice fornece a referência, mas garantir que ela seja aplicada corretamente, em todos os atendimentos, com todos os contratos, é um desafio operacional que escala com o volume de atendimentos.

Hospitais que dependem de processos manuais para manter a Brasíndice atualizada em seus sistemas estão sempre um passo atrás: a edição muda a cada 15 dias, os contratos variam por operadora e qualquer descompasso vira glosa. A automação desse controle, com aplicação automática dos valores vigentes por contrato, é o que transforma a Brasíndice de uma fonte de risco em uma ferramenta de proteção da receita.

Muitas instituições já estão adotando ferramentas de inteligência artificial para automatizar o ciclo da receita e reduzir glosas. A Rivio usa IA para gerenciar todo esse ciclo, atualizando automaticamente a Brasíndice e demais tabelas de precificação, aplicando as regras e valores vigentes por contrato e identificando divergências antes do envio da conta. Da auditoria ao recebimento, nossa tecnologia cuida de cada etapa para que o hospital receba tudo o que tem direito. 

Perguntas frequentes sobre a Tabela Brasíndice

Com que frequência a Tabela Brasíndice é atualizada?

A Brasíndice é publicada quinzenalmente, tanto em formato impresso quanto em portal eletrônico. O faturamento deve sempre usar a edição vigente na data do atendimento.

Qual a diferença entre Brasíndice e CMED?

A CMED é o órgão regulador vinculado à ANVISA, responsável por definir os preços máximos de medicamentos no Brasil. A Brasíndice é uma publicação independente que republica esses dados em formato operacional para uso em hospitais e operadoras. A CMED tem força regulatória; a Brasíndice é o instrumento de consulta prática do setor.

O que são PF e PMC na Brasíndice?

O PF (Preço do Fabricante) é o valor praticado nas transações entre a indústria farmacêutica e hospitais. O PMC (Preço Máximo ao Consumidor) é o teto para o varejo farmacêutico. No faturamento hospitalar, o PF é a referência padrão. O PMC só deve ser usado quando o contrato com a operadora o prevê explicitamente.

A Brasíndice é uma tabela oficial do governo?

A Brasíndice é uma publicação independente da Editora Andrei, sem vínculo com órgãos governamentais. Sua ampla adoção pelo mercado, como referência em contratos entre hospitais e operadoras, decorre da sua consistência e periodicidade, não de obrigação legal.

Para medicamentos, devo usar Brasíndice ou SIMPRO?

A Brasíndice é a referência específica para medicamentos registrados na ANVISA. A SIMPRO cobre materiais médico-hospitalares, equipamentos e dispositivos. Para uma internação que envolva tanto medicamentos quanto materiais cirúrgicos, as duas tabelas são usadas em conjunto, cada uma para seu escopo.

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