Tabela SIMPRO: o que é e como funciona na prática

Tabela SIMPRO: o que é e como funciona na prática

Tabela SIMPRO: o que é e como funciona na prática

A SIMPRO é a principal referência de precificação de materiais hospitalares em contratos com operadoras. Saiba o que ela cobre, como funciona na prática e por que erros de codificação geram glosas de alto impacto financeiro

Rivio

Redação

8 de abr. de 2026

5 minutos

8 de abr. de 2026

5 minutos

Materiais médico-hospitalares são uma das principais fontes de glosa em internações complexas. Código errado, descrição desatualizada ou valor fora do contratado: qualquer dessas falhas resulta em recusa da operadora.

A Tabela SIMPRO é a referência de precificação de materiais usada em contratos com operadoras no Brasil, e aplicá-la corretamente no faturamento é parte essencial da gestão do ciclo de receita hospitalar

O que é a Tabela SIMPRO

A SIMPRO é uma base de dados especializada que reúne códigos, descrições técnicas e preços médios de materiais médico-hospitalares, equipamentos, dispositivos e insumos utilizados em procedimentos de saúde. Para cada produto cadastrado, a tabela atribui um código numérico exclusivo que identifica o item de forma padronizada em todo o mercado de saúde suplementar.

A publicação tem periodicidade bimestral e está disponível em formato físico e eletrônico. A atualização a cada dois meses acompanha o ritmo de lançamento de novos produtos no mercado, mudanças de fabricante e variações de preço. Utilizar uma versão desatualizada da SIMPRO no faturamento é um caminho direto para divergências com a operadora.

A tabela é amplamente adotada em contratos entre hospitais e operadoras como referência de precificação para materiais. Quando o contrato prevê a SIMPRO como base, o hospital deve cobrar os materiais utilizados com os códigos e valores constantes na edição vigente, respeitando os percentuais de comercialização negociados com cada operadora. 

O que a SIMPRO cobre

O escopo da SIMPRO abrange os principais insumos utilizados em procedimentos hospitalares, com foco em dois grandes grupos.

Materiais médico-hospitalares e descartáveis

Esse grupo inclui itens de uso corrente em internações e procedimentos ambulatoriais: curativos, cateteres, equipos, seringas, fios de sutura, drenos e demais descartáveis utilizados no atendimento. São produtos de alto volume e baixo valor unitário, mas que somados representam parcela relevante do faturamento de materiais de qualquer hospital.

A padronização dos códigos SIMPRO para esses itens é especialmente importante porque o volume de lançamentos por conta é elevado. Um erro de código em um item de baixo valor pode parecer insignificante isoladamente, mas multiplicado por centenas de atendimentos gera distorções no faturamento mensal.

OPME: órteses, próteses e materiais especiais

OPME é o segmento de maior criticidade dentro da SIMPRO. Trata-se de dispositivos implantáveis ou de uso único em procedimentos cirúrgicos de alta complexidade: próteses ortopédicas, stents, válvulas cardíacas, implantes de coluna, entre outros. A Anvisa define OPME como produtos destinados à substituição ou complementação de estruturas do corpo humano, com indicação médica específica para cada paciente.

O valor unitário de uma OPME pode variar de alguns milhares a dezenas de milhares de reais. Em cirurgias complexas, o custo total dos materiais especiais frequentemente supera o valor dos honorários médicos e das diárias hospitalares combinados. Qualquer divergência de código, descrição ou valor nesse segmento gera glosa de impacto financeiro elevado e, muitas vezes, contestação prolongada com a operadora.

Por isso, a correta codificação de OPME na SIMPRO é tratada como prioridade pelos setores de faturamento e auditoria dos hospitais de maior complexidade. 

Como a SIMPRO é usada no faturamento hospitalar

A SIMPRO entra na operação hospitalar em dois momentos: na negociação contratual com a operadora e na execução diária do faturamento.

Na fase contratual, hospital e operadora definem a SIMPRO como tabela de referência para materiais e estabelecem a taxa de comercialização a ser aplicada sobre o preço de fábrica de cada item. Essa taxa varia por operadora e por categoria de material, e deve estar explicitada no contrato. É ela que define o valor efetivo que o hospital pode cobrar acima do preço tabelado.

Na execução do faturamento, o processo segue uma sequência direta. Após o atendimento, o faturista identifica cada material utilizado, localiza o item na SIMPRO pelo código do produto, verifica o valor vigente na edição mais recente e aplica a taxa de comercialização contratual. O valor resultante é lançado na guia de faturamento com o código TUSS correspondente e transmitido à operadora via padrão TISS, que define as especificações técnicas de comunicação eletrônica entre prestadores e operadoras.

Três pontos de atenção práticos para essa rotina:

  • Edição vigente. A SIMPRO é atualizada a cada dois meses. O faturamento deve sempre usar a edição em vigor na data do atendimento, não a data do envio da conta.

  • Taxa de comercialização. O percentual aplicado sobre o preço de fábrica varia por contrato. Aplicar a taxa errada, seja de outro convênio, seja de uma versão anterior do contrato, gera divergência de valor e glosa.

  • Produto sem código homologado. Materiais recém-lançados no mercado podem ainda não estar cadastrados na SIMPRO. Nesses casos, o faturamento exige tratativa específica com a operadora antes do envio da conta, sob risco de rejeição automática. 

SIMPRO e Brasíndice: escopos complementares

A SIMPRO e a Brasíndice são as duas principais tabelas de precificação do mercado hospitalar brasileiro. Atuam em escopos distintos e, na prática, são usadas em conjunto em qualquer internação que envolva tanto medicamentos quanto materiais cirúrgicos.

Confundir as duas tabelas no momento do faturamento é um erro que gera glosa imediata: cobrar um medicamento com código SIMPRO ou um material com código Brasíndice resulta em divergência de tabela de domínio que a operadora rejeita automaticamente. 

Critério

SIMPRO

Brasíndice

Escopo principal

Materiais médico-hospitalares, equipamentos, dispositivos e OPME

Medicamentos registrados na ANVISA e dietas enterais

Periodicidade

Bimestral

Quinzenal

Identificação do item

Código numérico exclusivo com descrição técnica e preço médio

Código por produto com PF e PMC

Taxa de comercialização

Aplicada sobre o preço de fábrica, conforme negociação contratual

Percentual sobre PF ou PMC, conforme contrato

Uso no faturamento

Referência para materiais na guia TISS

Referência para medicamentos na guia TISS

Risco de glosa

Código desatualizado, produto sem homologação, taxa incorreta

Edição desatualizada, confusão entre PF e PMC

 

Em uma cirurgia cardíaca, por exemplo, os medicamentos anestésicos e antibióticos são faturados com base na Brasíndice, enquanto o stent coronário e os materiais cirúrgicos são faturados com base na SIMPRO.

Código SIMPRO incorreto gera glosa

Assim como na Brasíndice, o uso incorreto da SIMPRO no faturamento gera glosa administrativa objetiva: a operadora identifica a divergência, rejeita o item e o hospital perde o valor cobrado. No segmento de OPME, em que o valor unitário dos materiais é elevado, uma única glosa por código incorreto pode representar prejuízo significativo.

Os erros mais frequentes seguem um padrão reconhecível:

  • Código desatualizado. O sistema de faturamento está parametrizado com uma edição antiga da SIMPRO. O produto foi reclassificado ou teve seu código atualizado na edição mais recente, mas o hospital continua usando o código anterior. A operadora rejeita por divergência de código.

  • Produto sem código homologado. Materiais recém-lançados ainda não cadastrados na SIMPRO são faturados com o código de um produto similar. A operadora identifica a substituição e glosa por código incorreto ou por ausência de homologação.

  • Taxa de comercialização incorreta. O percentual aplicado sobre o preço de fábrica não corresponde ao que está contratado com aquela operadora. A diferença de valor entre o cobrado e o esperado gera glosa financeira, mesmo que o código do produto esteja correto.

  • Confusão de tabela de domínio. Um material é faturado com código Brasíndice em vez de SIMPRO, ou vice-versa. A operadora rejeita automaticamente por tabela de domínio incorreta. 

A prevenção passa por três frentes: atualização bimestral automática da SIMPRO nos sistemas de faturamento, parametrização correta das taxas de comercialização por contrato e tratativa antecipada com a operadora para materiais sem código homologado. 

SIMPRO atualizada é faturamento protegido

Materiais hospitalares são cobrados por código. Quando o código está errado, a operadora não glosa por má-fé: ela glosa porque o que foi enviado não corresponde ao que foi contratado. A SIMPRO existe para eliminar essa ambiguidade, mas só cumpre esse papel quando está atualizada, parametrizada corretamente e aplicada com consistência em todos os contratos.

Em hospitais com alto volume cirúrgico e múltiplos contratos, manter a SIMPRO sincronizada manualmente é uma tarefa que depende de disciplina, tempo e ausência de erros humanos. Qualquer um desses três elementos que falhe, e a glosa aparece na próxima auditoria da operadora.

A Rivio automatiza esse controle dentro do ciclo da receita hospitalar: atualização bimestral da SIMPRO aplicada automaticamente por contrato, taxas de comercialização parametrizadas por operadora e identificação de divergências antes do envio da conta. O resultado é um faturamento de materiais que chega à operadora sem surpresas, e uma receita que o hospital efetivamente recebe.

Perguntas frequentes sobre a Tabela SIMPRO

Com que frequência a Tabela SIMPRO é atualizada?

A SIMPRO é publicada bimestralmente, em formato físico e eletrônico. O faturamento deve sempre usar a edição vigente na data do atendimento, não a data do envio da conta.

Qual a diferença entre SIMPRO e Brasíndice?

A SIMPRO cobre materiais médico-hospitalares, equipamentos, dispositivos e OPME. A Brasíndice é a referência para medicamentos registrados na ANVISA. Em internações complexas, as duas tabelas são usadas em conjunto, cada uma para seu escopo. Cobrar um item com a tabela errada gera glosa por divergência de tabela de domínio.

O que é OPME e por que a SIMPRO é essencial para esse segmento?

OPME são órteses, próteses e materiais especiais utilizados em procedimentos cirúrgicos de alta complexidade. O valor unitário desses itens pode chegar a dezenas de milhares de reais, o que torna qualquer erro de codificação especialmente custoso. A SIMPRO é a principal referência de precificação para esse segmento no mercado de saúde suplementar.

A SIMPRO é uma tabela oficial do governo?

A SIMPRO é uma publicação privada, sem vínculo com órgãos governamentais. Sua adoção generalizada pelo mercado decorre da consistência da base de dados e da periodicidade das atualizações, não de obrigação legal. Sua presença em contratos entre hospitais e operadoras reflete uma convenção consolidada de mercado.

Como a SIMPRO se relaciona com o padrão TISS?

O padrão TISS, estabelecido pela ANS, define as especificações técnicas para a troca de informações entre prestadores e operadoras de saúde. Os materiais codificados pela SIMPRO são lançados nas guias de faturamento com o código TUSS correspondente e transmitidos à operadora via padrão TISS. A SIMPRO fornece a referência de precificação; o TISS define o formato de transmissão.

Transforme sua operação com tecnologia e suporte humano. E receba 100% dos planos de saúde.

Transforme sua operação com tecnologia e suporte humano. E receba 100% dos planos de saúde.